Foto de Cristina Brandão Lavender
Poema de Cidália Pinto
Há em ti visões de terror e medo do desconhecido.
Dos que apenas te olham.
O negro contém a imponência do absoluto, quase.
Segues o horizonte sem medo e tantas vezes velas os que já se foram.
Há quem diga que os ajudas a partir.
Às vezes, a regressar.
És ponte entre infernos e paraísos.
Vives triste porque a alegria tem-te medo.
E eu gosto tanto de ti...
E eu gosto tanto de ti!
Os segredos que guardas sei que não os partilharás.
A morte conhece-te e aninha-se no teu leito para descansar.
A vida foge de ti.
Ama-te.
E eu gosto tanto de ti.
Tens medo de quem te gosta e voas.
O céu será sempre a tua proximidade maior.
Saibas tu que gostarias de mim.
As minhas mãos são de afagos livres.
O meu peito é uma gaiola que não fecha.
E sou a claridade que não te deixa ser.
Escuridão absoluta.
Por isso gostas tanto de mim.
Guardas segredo.
" No Alcance do Sonho"

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